segunda-feira, 21 de maio de 2012
SLB
Uma mentira dita muitas vezes torna-se verdade”. A mentira de que o
Benfica era um clube protegido por Salazar tem sido dita muitas vezes
com o objectivo duplo de menorizar as vitórias passadas do clube e
modificar a história do futebol Português e, mesmo, de Portugal.
António de Oliveira Salazar, governou Portugal de 1933 a 1968 (35 anos).
Até 1974 quando a Revolução dos Cravos pôs fim ao Estado Novo, regime
político autoritário implantado por Salazar com a Constituição de 1933,
foram disputados 40 títulos do Campeonato Português. O Benfica venceu 20
deles (50% do total), contra 14 do Sporting (35%), 5 do Porto (12,5%) e
1 do Belenenses (2,5%). No entanto, nos primeiros 20 anos após a
Revolução dos Cravos, período que antecede o predomínio absoluto dos
Dragões (Pinto da Costa), o Benfica ganhou 10 títulos (mais uma vez, 50%
do total). O Porto venceu 8 títulos (40%), enquanto que o Sporting,
apenas 2 (meros 10%).
O Benfica sempre foi olhado com suspeita pelo "regime", pois era o clube
da ralé, como eles diziam , e pior ainda, tinha uma bandeira de cor
vermelha, a cor associada a todos os que lutavam contra o governo
fascista de António de Oliveira Salazar.
O Benfica foi o primeiro clube a ter eleições democráticas. Já tinha
eleições democráticas muito antes do fim do estado novo.
As ligações do FC Porto ao poder permitiram-lhe nas épocas de 1939/40 e
1941/42 o alargamento dos nacionais para evitar descer à 2º divisão.
A ditadura ajudou o FC Porto a construir o já desaparecido Estádio das
Antas, simbolicamente inaugurado a 28 de Maio de 1952 pelo General
Craveiro Lopes (dia comemorativo da revolução que deu origem ao estado
novo).
O antigo Estádio da Luz foi inaugurado no dia 1 de Dezembro (data da
Restauração da Independência) e a 5 de Outubro (Implantação da
República) foi inaugurado o 3º anel.
Em 1954/55 O Benfica apesar de campeão não foi indicado para a Taça dos
Campeões Europeus porque naquela altura os clubes eram sugeridos pelas
entidades nacionais responsáveis e o Benfica, mesmo sendo campeão, foi
preterido em favor do Sporting. As "más-línguas" garantem que houve uma
"mãozinha" de Salazar neste processo, pois as excelentes relações
existentes entre ele próprio a alguns dos dirigentes sportinguistas, não
deixavam antever outro cenário, visto que é do conhecimento geral que
nas décadas de 40 e 50, e no início de 60, as direcções sportinguistas
eram constituídas por gente da Legião Nacional e da UN - Góis Mota, Maia
Loureiro entre outros.
Na década de 1960, o Benfica disputou cinco finais da Liga dos Campeões e
venceu duas. É improvável imaginar que isso também tenha sido obra do
Salazarismo.
O Benfica foi obrigado a jogar a final da Taça de Portugal em 1961/62 em
casa do adversário (Vitória de Setúbal) um dia depois de o Benfica ter
vencido o Barcelona na final da Taça dos Campeões Europeus. Os 15
jogadores que estiveram nesse jogo estavam em viagem no dia do jogo em
Setúbal, no qual o Benfica perdeu 1-0.
Na década de 70 - O Benfica foi campeão por 6 vezes e conseguiu fazer
dois campeonatos sem perder um único jogo.
O clube mais próximo da ditadura sempre foi o Sporting, pois era o clube
que tinha simpatizantes com maior peso na sociedade da altura, e mais
tarde (na época do Almirante Américo Tomás) também o Belenenses. O
Sporting era o clube do regime. Contudo, Salazar aproveitou-se das
vitórias do Benfica para se promover e credibilizar como faria qualquer
ditador.
Aquando da revolução de 25 de Abril, o presidente do Benfica era Borges
Coutinho.
Nos 20 anos seguintes à revolução de Abril - o Benfica venceu 10
campeonatos e 7 Taças de Portugal, contra 8 campeonatos e 5 taças ganhas
pelo Porto e 2 campeonatos e 2 taças conquistadas pelo Sporting.
Também nas 84 edições da Taça de Portugal o Benfica venceu 27, 14 sem
Salazar e 13 com Salazar. Mais uma vez, com ou sem Salazar, o Benfica
mantém a senda vitoriosa.
Em termos Europeus, o Benfica conta com 8 finais europeias (7 na Taça
dos Campeões Europeus e uma na Taça Uefa) e duas meias-finais (Taça das
Taças). Venceu ainda a Taça Latina e uma edição da Taça Ibérica (em
83/84). Estes dados mostram o poderio do Benfica quer em Portugal, quer
na Europa, na era Salazar e no pós-Salazar.
O hino oficial do Benfica não era a música de Luís Piçarra. O hino
oficial do Benfica, composto por Bermudes, chamava-se “Avante Benfica” e
foi censurado por Salazar por ser entendido como uma afronta ao seu
poder.
Na história do Benfica contam-se imensos dirigentes que lutaram contra o
fascismo de Salazar. Manuel Conceição Afonso, Félix Bermudes (o autor
do hino censurado), Tamagnini Barbosa e Júlio Ribeiro são alguns desses
exemplos. José Magalhães Godinho, conhecido opositor do regime, foi o
primeiro director do jornal do Benfica.
Quando o Benfica foi ocupar o campo 28 de Maio (onde jogava o Sporting)
muda o seu nome para estádio do Campo Grande.
Conclusão:
O Benfica não era o clube do regime como querem fazer querer. Salazar
aproveitou-se das vitórias do Benfica para se promover e credibilizar
como faria qualquer ditador.
A supremacia dos dragões coincide com o reinado de Pinto da Costa (e não
com o fim do estado novo como querem fazer querer). Presidente do clube
desde 1982. Se um dos pilares da democracia é justamente a alternância
de poder, não se pode dizer que o Porto viva em democracia, já que é
controlado pelo mesmo presidente há 27 anos. Só recentemente o Porto
começou a ter eleições democráticas.
O Sporting foi o grande prejudicado com o fim do estado novo, dado ser o
clube mais próximo do regime. O clube conquistou apenas 6 vezes o
campeonato sem Salazar no poder."
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